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Firme! Cholas y cholos

setembro 2, 2017

Há algum tempo não posto no blog. Decidi voltar apesar de tudo. Não sei se perceberam o estilo da Arlequina e do Coringa em Esquadrão Suicida. Pois estou desde essa época querendo escrever esse post, pois sou fã das cholas e cholos. Para quem não conhece, estilos das gangues latinas nos Estados Unidos. Muita gente já adotou, inclusive quem não é latina como Gwen Stefani.

O clipe mais chola impossível: Gwen adere o estilo esportivo, com calças largas, tênis, touca, boné, listras em casacos esportivos e meias, bandanas e muitas jóias penduradas. O carro também é legítimo lowrider custom. Lembrando que a pin-up também usa o estilo na rotina.

As autênticas cholas latinas

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O estilo de Gwen no clipe: Touca, blusa cropped, calças muito largas e tênis.

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O carro custom do clipe

Pink também adere demais, primeiro porque é fã do estilo pin-up, assim como Gwen. Segundo porque é casada com o ex-piloto de motocross profissional Carey Hart e atual dono do “Hart and Huntington Tattoo”. Com eles a pegada é mais hardcore, com essa linha punk que eles curtem.

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Boné de aba reta e bandana também é classe para os cholos

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Boné de aba reta e roupas largas dos cholos chilenos

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Também entra na lista a modelo pin-up Sabina Kelley, que sempre investiu no estilo chola usando tranças, bonés, elementos rap/hip-hop (e parece ainda mais engajada agora que namora o cholo Nixx).

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Os cholos e cholas hispânicos

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“A loucura é um prazer que só um louco conhece”.

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Sabina faz uma releitura de Trisha da série “Orange is the New Black”, mas no seu dia a dia usa muito tranças.

Sabina

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As cholas também curtem tranças

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Sabina fez duas tattoos de rosas no estilo mais chola possível nas laterais do pescoço e outra tattoo enorme, preto e cinza nas costas (com temática religiosa – principalmente as mãos rezando, muito comum entre as gangues latinas).

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Uma versão com apenas mãos rezando: “Só Deus pode me julgar”.

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Um grande salto no estilo chola, visto que Sabina é fã do colorido e old/new school. Kat Von D, chola pin-up assumidíssima no passado, ainda hoje flerta com o estilo. Não somente nas roupas mas nas tattoos que adota (e desenha), o lettering e o preto e cinza (típico do estilo). Além disso ela possui muitas tattoos com referências latinas, marcando os mesmos locais do corpo e a mesma temática.

O lettering de Kat VonD e de outro artista que aborda a cultura chola: geralmente tattoo nas costas, braços, barriga e peito.

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O análogo do Brasil, “Vida Loka” é o “Mi Vida Loca”, da cultura cholo do leste de Los Angeles. Em cima a cantora Carmem Miranda, no estilo pin-up chola.

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Outra característica da cultura cholo, tattoos no rosto.

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Abaixo a joven Kat Von D, no estilo chola pin-up. 

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Por aqui a coisa chegou com o novo hip-hop (Hungria e Tribo da Periferia por exemplo) e o funk (MC Guimê e Tati Zaqui). Atualmente temos as latinas da série “Orange is the New Black” que representam o estilo das cholas como ninguém. 

Marisol “Flaca” Gonzales

Latina

Dayanara Diaz

Dayanara

Daí fica complicado separar essa mistura de estilo que engloba uma multiplicidade cultural imensa, bem globalizado dentro do estilo urbano. Sobre as tattoos, aqui no Brasil o MC Guimê foi um dos primeiros que ficaram conhecidos por adotar tattoos semelhantes aos de gangues hispânicas como a MS-13.

Integrantes da Mara Salvatrucha na América Latina

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Uma lágrima tatuada embaixo do olho pode significar que durante sua estada na cadeia o detento perdeu um ente querido ou matou alguém. Comum também na cultura chola é a admiração pelo palhaço, que teoricamente para o gangsta é uma zombaria com a polícia (aqui no Brasil também faz uma analogia com a polêmica maconha). Aqui a referência do Coringa e da Arlequina foi bem absorvida, assim como nos EUA pois os estilos dos personagens têm todas as referências cholas: das tattoos lettering em preto e cinza, tattoos embaixo dos olhos e queixo, até o estilo extravagante que adota muitas cores e brilho dourado. 

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Coringa e Arlequina: vida bandida (Thug Life), amor pelo brilho e acessórios extravagantes, roupas e cabelos muito coloridos, tattoos preto e cinza em um estilo “de cadeia”, especialmente no rosto. Herança do hip-hop, rap e cultura cholo.

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Já as letras M e S em caracteres góticos dizem que o detento faz parte da gangue “Mara Salvatrucha”. Presentes nos EUA, El Salvador, Honduras, México e outros países na América Latina. Mesmo com muitos deles presos, a gangue tem uma rede internacional responsável por crimes como tráfico, contrabando e assassinato de inimigos de gangues rivais.

Semelhança entre o personagem “El Diablo” do Esquadrão Suicida e integrante da MS: mesmas referências cholas para tattoos.

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Outros integrantes da gangue “Mara Salvatrucha” na América Latina

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A história da gangue começou com imigrantes que fugiam da guerra civil de El Salvador na década de 80 e ficavam literalmente prensados entre a esquerda e o governo militar. Alguém lembrou de Al pacinho em Scarface (embora cubano) ? Hostilizados por outros jovens da região de Los Angeles, eles decidem formar seu bando “mara”, enquanto “salvatrucha” é o apelido que identifica salvadorenhos.

Aqui no Brasil, com as mulheres do funk, a principal representante chola é Tati Zaqui.

Tati Zaqui, principal referência chola no Brasil. 

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Chola hispânica

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Por aqui o pessoal do skate incorporou muito do estilo cholo/chola, até porquê o gosto para música mudou de punk rock para rap e hip-hop. E ainda, funk. 

Vai fera, achando que toda essa herança é meramente skate…Vamos misturar cultura lowrider, rockabilly, hardcore e nossas raízes latinas.

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Uma chola é praticamente uma pin-up latina, só que com muitas referências hip-hop e culturais/locais. Uma chola (assim como os cholos) não leva desaforo para casa, é rebelde, tem um jeito bem específico de falar (o que torna especial a identificação com a periferia no Brasil). O animal preferido é o cachorro, o pit bull. Ele(a)s também tem um especial amor pela família, que deve ser unida e acima de qualquer traição. Família também é quem fecha junto em todas ocasiões, como amigos.

Arte de Rik Lee define bem a cultura cholo

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Cholas em estilo pin-up: delineador, batom vermelho ou rosa, bandanas e argolas na orelha. Tatoos no estilo “lettering” quase sempre estão presentes.

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Não podemos esquecer o amor desse grupo por carros antigos como pontiac, impala e oldsmobile. Os lowriders são fãs das mulheres, festas e carros (preferencialmente modificados). A população hispânica de Los Angeles, já em 2008 contava com 30% da população. Dos carros dos anos 50 e 60 a suspensão dos veículos é substituída pela hidráulica que permite ao apertar um botão subir e descer dos chassis dos quase sempre coloridos veículos (low and slow) ou baijito y suavecito.  

O cantor Marilyn Manson já incorporou um estilo gótico cholo no clipe de “Tainted Love”, com direito à jóias, dentes de ouro e “low and slow” em seu carro.

Os autênticos cholos e seus carros

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O som que toca nos carros é geralmente hip-hop, não necessariamente cantado por negros mas chicanos como Mr. Capone-E. E os cholos latinos curtem as companhias latinas, não as mulheres brancas divulgadas com o mesmo estilo em revistas na mídia. Alguns lowriders aproveitam a visibilidade de seu estilo e seus carros para chamar atenção para exigir a legalização de hispânicos nos EUA. César Estrada Chávez foi um dos mais emblemáticos militantes pelos direitos civis dos mexicanos na década de 60.

O sindicalista César Estrada Chávez

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Ele possuía um Chevrolet Impala, sempre depositou as esperanças políticas no mais antigo grupo de lowriders de Los Angeles, o Duke’s Car Club. Era um grupo de imigrantes orgulhosos que com seus carros brigavam por mais segurança em bairros hispânicos da Califórnia.

Só para terminar, uma leitura da cultura cholo no clipe da dupla Die Antwoord. É engraçado e sério ao mesmo tempo! Lembrando que o ZEF é uma cultura de periferia na África do Sul, bem semelhante ao funk no Brasil. Eles são geralmente jovens brancos que não aceitaram ou participaram do apartheid, convivendo pacificamente com os negros sem nenhum tipo de preconceito e incorporando culturalmente suas influências.  Então há espaço para pessoas não necessariamente dentro do padrão de beleza, mas imperfeitas como na realidade. Uma pegada hip-hop e gangsta (especialmente na valorização do graffite e pichação). Note o estilo inteiramente cholo do namorado de Yolandi Visser no clipe, além da crítica social sempre presente ao machismo de seu irmão (seu parceiro de banda Ninja). Vemos também a valorização do motocross e da cultura lowrider pelo namorado de Yolandi. É interessante esse viés de resistência dentro da periferia que se manifesta culturalmente em um estilo que muitos alternativos que curtem rock ainda possuem preconceito e por isso mesmo não entendem. Acredito que isso advém do fato do estilo gangsta estar relacionado à vida no crime. Além disso temos a maneira como estilos musicais como o funk são criticados por falar de sexo, mas a mesma sociedade hipócrita aceita temas semelhantes em estilos musicais como pop e rock, diminuindo o funk inconscientemente por estar na favela. Mas devemos lembrar que esses mesmos indivíduos são frutos de um meio de poucas oportunidades, em que sua distração é essa cultura que se identificam. É impossível falar de gangsta sem falar da maneira que a população mais pobre é tratada pela sociedade. E isso só pode ser entendido por quem vive nesse meio.

One Comment leave one →
  1. outubro 14, 2017 11:50 am

    Que bom que você voltou e voltou com tudo! Gosto muito do que escreve!

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