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Boho goth: O que a Arte tem a ver com isso?

junho 4, 2015

Para começar eu acredito que o boho goth nunca foi uma tendência, acho que sempre esteve impregnado de uma maneira ou outra no inconsciente coletivo gótico, podemos perceber uma influência oriental muito grande já no Romantismo, alguns escritores faziam uso disso em seu estilo exótico, pois a orientalidade emanava mistério e aos olhos dos europeus era sombrio e um tanto marginal (estar a margem da cultura dominante). Lembrando que isso emanou também na arte e até mesmo no Brasil, onde figuras orientais e cavaleiros medievais foram substituídos pelos índios, mais próximos do nosso folclore e próximos do Romantismo pela representação da pureza nunca afetada pelo homem moderno que faz parte da sociedade comum e suas obrigações, tanto financeiras quanto filosóficas.

Nesse retrato feito pelo artista Thomas Phillips, Lord Byron aparece com traje tradicional albanês, ele usa um estilo oriental.

(c) Government Art Collection; Supplied by The Public Catalogue Foundation

(c) Government Art Collection; Supplied by The Public Catalogue Foundation

A minha cena preferida de “A Rainha dos Condenados”, filme tão odiado por todos porque o Lestat de “Entrevista com o vampiro” era bem mais semelhante ao Lestat dos livros de Anne Rice, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Lestat se aproxima interessado de uma cigana que também se sente atraída por ele (e esse acesso ocorre através da música, pelo qual ambos são atraídos). Os exóticos sempre se aproximam e há um fetiche da cultura diferente da européia dentro do Gótico/gótico e do Romantismo. Eu ainda acho que um dos grandes méritos do filme “A Rainha dos Condenados” é trazer uma cantora negra para o papel de Akasha, coisa que parecia impensável em filmes anteriores. mas a própria Anne Rice não chegou a especificar qual seria a etnia de Akasha.

É impossível não lembrar das dançarinas de tribal fusion, a minha favorita é Zoe Jakes pela ousadia em misturar ritmos que nada tem a ver com belly dance e movimentos que misturam os clássicos orientais, indianos e até hip-hop e jazz. Pode parecer estranho, mas isso tudo dá certo, nessa dançarina de tribal fusion. Eu sou encantada com tribal fusion, justamente por permitir essa liberdade em belly dance. Os figurinos de Zoe também são um show à parte, eu vejo muita orientalidade e uma influência folk muito nítida.

Nessa apresentação, Zoe incorpora todo o conceito dos anos de 1920, desde à art nouveau no estilo de Mucha, cabaret até o jazz.

Já aqui, jakes em uma performance solo tem influências de dança indiana e em certo momento faz  a mesma careta da deusa Kali, a deusa da destruição e da morte (mas também da transformação, já que para criar tem haver a destruição posterior das estruturas firmadas), a força feminina símbolo da vida e fertilidade.

Kali

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Zoe Jakes

 

É impossível não lembrar também de uma banda alemã que aprecio muito, chamada Faun. Eu estou de olho na banda há vários anos desde que passei por uma fase de viking metal/folk metal em 2008. E até hoje adoro isso, porque adoro mitologia grega/romana, eslava, finlandesa, egípcia, celta, nórdica, medievalismo… Eu não posso dizer que é uma fase porque sempre estou em busca de algum livro ou filme sobre, não sei até que ponto isso afeta meu estilo na hora de me vestir (as pessoas devem olhar e não entender nada, mas para mim meu estilo é coerente). Enfim, olhem essa pintura que eu amo, do Goya, “O Sabá das Bruxas”, da série de pinturas negras que ele fez para criticar a Santa Inquisição:

 

Goya

Nesse quadro é representada uma reunião de bruxas no qual o ser chifrudo parecido com o bode representa o mal, elas oferecem crianças em sacrifício à ele. Obviamente a lua é representada também na composição, pois todo ciclo de colheita, calendários e comemorações eram guiados pela sua posição. É obviamente uma alegoria, com chifres ornados com ramos, nos faz perceber a influência folk notável em pintores de períodos anteriores, ao representar as ninfas e sátiros por exemplo. O bode é sempre representado como mal (Satanás), isso antecede Baphomet, divindade pagã popularizada no século XIV. O bode sempre foi um símbolo de fertilidade, os sátiros/faunos que eram metade bode e metade humano dentro da mitologia eram tidos como seres incontroláveis sexualmente que se refugiavam com as ninfas para manter relações sexuais na floresta. Mas também gostavam de vinho e da música.  Eles representavam um arquétipo do descontrole pela busca do prazer, os excessos sexuais, pela bebida e pela música. No hedonismo como termo grego, o prazer era o supremo bem da vida humana. Posteriormente no Iluminismo, passou a significar o prazer egoísta, imediatista, a busca de prazeres momentâneos. O Cristianismo condena os excessos de prazer assim como as crenças pagãs dos diversos povos, portanto a figura do bode foi perseguida como pagã e demonizada na forma de Satanás, assim como os comportamentos fundamentados nos excessos, seja com a bebida ou com o sexo. Ambos, ninfas e sátiros estão ligados com as festas da colheita e à fertilidade.

Devemos nos lembrar que o teatro grego nasceu do culto à Dionísio, nos festivais de caráter dramático (alegre ou sombrio) de ditirambo, em que as pessoas se vestiam como sátiros e acompanhavam o canto coral com flautas, liras e tambores. Alguns dizem que as peles de sátiros também incorporavam um falo.

A obra de Peter Paul Rubens, “Dois Sátiros” – 1618-19: A uva é matéria para o vinho

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O Pã ou Lupercius é o deus dos bosques, dos rebanhos e dos pastores, é representado com pernas e chifres de bode. Amante da música traz com ele uma flauta, frequentemente visto na companhia das ninfas. Pã era uma entidade maior que os sátiros. Mas todos estão ligados com o conceito da natureza, a lua chamada de Selene foi o grande amor de Pã.

Representação de Pan

PanRepresentação de Selene

Lua Selene

Representações dos dois juntos

 

Pan e Selene2

Pan e Selene

As ninfas, deusas espíritos da natureza geralmente são representadas com coroas de flores ou ramos na cabeça.

Um detalhe da pintura de Botticelli, a primavera com representação de uma das ninfas

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Eu gosto muito desse vídeo da banda alemã Faun, há um ritual que nos faz lembrar as festas da primavera ou vinho em honra à Dionísio. Várias ninfas dançantes e o encontro entre Pã (vestido em sua pele de cordeiro para não assustar a amada com sua aparência grotesca) e Selene (a deusa da Lua).

Atentos à toda História, Arte e mitologia por trás do boho goth, fica bem mais interessante usar alguns símbolos como a lua, as fases da lua, os chifres, os colares (adornos)…quem sempre gostou fique atento para essa influência cultural acerca do estilo.

Acessórios tribais com diversas influências culturais, as fases da lua onipresentes em camisetas, saias e acessórios, ear cuffs com influência celta e medieval, os adornos com chifres/cornos, adornos indianos na cabeça e mãos, mãos pintadas com henna e unhas pretas,  a coroa com flores ou ramos…As diversas influências do Boho goth perpassam os anos de 1970 e o gótico em suas temáticas medievais, exóticas, tribais e mitológicas.

LaLune

Lua

Fases da Lua

O

EarCuff

Chifres

Adornos

Hena

Anéis

Skull

Eu gosto tanto desses temas que tenho três painéis no Pinterest para quem acompanha: Viking force, celtic dreams and medieval things Boho Goth Zoe Jakes and tribal fusion

Algumas aquisições minhas no estilo baho goth, pulseiras, anel e colares, além de lenços (não está tudo aqui, apenas o que eu mais gosto). Ao fundo o Yggdrasil que ganhei de presente e ainda não pintei. E leituras sobre o tema, livro sobre a História das bruxas e inquisição e livro sobre mitologia mundial na página da mitologia eslava e a Baba Yaga.

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O ABC da Morte

maio 9, 2015

Ontem em um final de dia sem muito o que fazer, eu acabei ligando a televisão no canal HBO Plus e chamei minha irmã que é minha companheira mais corajosa de filmes de terror. O ABC da Morte é um filme que usa a liberdade criativa de vários diretores do mundo, sem nenhuma intervenção externa na criação de vários curtas com o tema morte. Cada um foi sorteado com uma letra, pensou em uma palavra e criou seu curta. Há curtas de animação em massa de modelar, desenhos, filmes…

ABC da Morte

É claro que podemos ver nos curtas a manifestação cultural de cada cultura de cada país envolvido, por exemplo nota-se a obsessão dos orientais, por perversões sexuais das mais diversas, o que às vezes pode fazer alguns espectadores não acreditarem no que estão vendo.

L de Libido do diretor Timo Tjahjanto

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ABC of Death

Outra obsessão são as velhas estórias de mangá/anime em que aluno(a)s são seduzidas por professore(a)s. mas claro, também há muita crítica envolvida à História do Japão, a questão ainda não tão bem resolvida das bombas nucleares e deformações congênitas de várias gerações de japoneses e a dominação americana dentro do território japonês. Então é preciso ir além do que vemos para interpretar culturalmente as estórias e seus criadores.

Há ainda uma homenagem aos filmes de samurais, em que o rosto de um dos samurais se transforma, lembrando gravuras japonesas, até cometer seppuku, em J de Jidai-geki (Samurai movie) dirigido por Yûdai Yamaguchi.

Seppuku

Outra crítica interessante que noz faz lembrar de antigos desenhos animados do lobo seduzido por alguma espécie feminina é H de Hydro-Electirc Diffusion dirigido por Thomas Malling.

A clássica cena do lobo seduzido pela mulher, o arquétipo do desejo masculino e sedução feminina

RedHotRidingHood_zpsc8939c37Em uma atmosfera quase dieselpunk, nos lembrando da segunda Guerra Mundial, um cachorro humanóide representado pelos Estados Unidos é seduzido por uma mulher raposa, nazista. Uma homenagem ao Furry Fandom, uma subcultura identificada por personagens que misturam características antropomórficas de animais e pessoas. Há também um fetiche sexual por trás da figura dos furrys.

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Furry

Há espaço para críticas há questão dos atuais padrões de beleza das mulheres, como o caso de Xavier Gens com o curta X de XXL, em que uma moça gordinha cansada de ser pressionada por padrões de mulheres magras (as mulheres francesas são reconhecidas por sua magreza, sendo o lugar do luxo e da moda sabemos o porquê) acaba cometendo um ato insano.

XXL

Eu gostei muito de D de Dogfight de Marcel Sarmiento por nos trazer a atmosfera dos clubes de luta, de forma nua e crua envolvendo pessoas de diversas faixas etárias e origens étnicas. Dá para sentir o calor e a tensão envolvidas na prática e com um final surpreendente.

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Buddy Outro que eu realmente gostei foi S de Speed, dirigido por Jake West. Um cenário de deserto e duas mulheres sexys com roupas de látex acabam descobrindo a morte através da sombria verdade por meio de um delírio. Uma homenagem mórbida à Death Proof (2007) de Tarantino ou Faster Pussycat! Kill ! Kill! (1969) de Russ Meyer,

SpeedHá ainda espaço para paranormalidade futurista em um ambiente completamente cyberpunk criado por Kaare Andrews em V is for Vagitus (The Cry of a Newborn Baby), uma versão apocalíptica  e crítica para como o ser humano irá lidar com a superpopulação do mundo. E um arquétipo de um messias com poderes sobrenaturais. me faz lembrar o trecho da bíblia em que Herodes manda matar todos os bebês com a finalidade de assassinar Jesus Cristo.

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Em Y de Young Buck de Jason Eisener, um garoto se vinga usando elementos simbólicos de seu agressor pedófilo.

_dsc7949Obviamente, não consegui lembrar de todos os curtas, porém tem outros tão interessantes quanto. É para assistir sem carregar nenhum tipo de preconceito que abale a interpretação do que está vendo.

Metalhead (Málmhaus): Superação da dor e descoberta da identidade através do Metal

agosto 9, 2014

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Não há dor mais profunda que aquela de perder quem amamos. Em 2012  eu perdi minha avó em janeiro, uma semana após meu aniversário, fazia tempo que não a via. Não fui ao seu último aniversário, porque achava que iria no próximo ano. Ela tinha 97 anos, adoeceu com uma pneumonia e morreu após pouco tempo. Em abril do mesmo ano,  perdi meu irmão que eu não via desde que eu era criança. Ele precisava de um transplante de coração, conseguiu, teve uma operação bem sucedida para após um mês morrer em decorrência de uma infecção em um ponto da costura da operação. Morreu extremamente jovem. Foi a primeira vez que eu fui à Niterói, onde ele morava. Para chorar durante seu enterro e finalmente vê-lo.  Minha paz vem da plena certeza de que era a hora de ambos, eles estão em melhor lugar agora. Ambos estavam em paz com Deus e suas vidas, visto pelas suas conversas que de certa maneira já sabiam qual seria seu destino. Mas fiquei deprimida durante algum tempo, pensando que poderia ter sido mais presente (ainda que os dois não gostassem muito disso) . Quando alguém próximo morre, temos a sensação de que não temos nenhum controle sobre o destino (e realmente não temos).

Metalhead (Málmhaus em islandês), filme maravilhoso dirigido por Ragnar Bragason, nos traz a história da adolescente Hera, uma garota que interessou-se por heavy metal após a morte de seu irmão, também fã do metal. Hera busca no metal uma forma de superação da morte do irmão,  através da música e criação de sua própria identidade. Hera mora em um lugar isolado da Islândia, um povoado rural em que sua família tem a típica rotina de trabalho na fazenda, cuidando dos animais e lavoura. Além disso frequentam a Igreja do povoado. Após a morte do irmão em um acidente com a roda de um equipamento agrícola em que seu longo cabelo fica grudado na roda enquanto ele cuidava da lavoura, Hera (ainda uma pré-adolescente) vai ao velório dele na Igreja e começa a nutrir um certo ódio por Jesus Cristo ter deixado seu irmão morrer. Vemos o impacto disso quando ela sai correndo da Igreja durante o velório de seu irmão. Posteriormente ela se despede definitivamente da infância, queimando sua roupas e as trocando por camisetas de bandas, jaquetas de couro e coturnos, provavelmente obtendo muitas do armário de seu falecido irmão. Ela também começa a conhecer todas as bandas, tocar guitarra e cantar. Segundo a própria, o Led Zeppelin começou tudo isso, citando referências como Iron Maiden e Master of Puppets do Metallica tanto dos posters de seu irmão (que acabarão sendo dela) quanto em suas camisetas.

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A queima das suas antigas roupas é o fim da infância de Hera e descoberta da sua identidade através da dor da perda do irmão.

 

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Hera toca guitarra para seu irmão onde ele foi enterrado: uma perda irreparável

 

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E lidar com a perda do irmão e a descoberta de sua identidade não é algo fácil na adolescência de Hera. Seus amigos de infância ainda gostam dela, apesar de ela não ter mais nada em comum com eles (porque suas preferências são outras e bem diferentes da comunidade em que vive). A comunidade religiosa também tem medo de seu modo agressivo e estranho. Também há um abismo entre ela e seus pais, que não conseguem entender sua agressividade e a distância que a separa cada vez mais de sua família devido à seu gosto pelo metal, além do seu jeito truculento e revoltado. Também a mãe e o pai tem que lidar com o sofrimento e a distância do casal, desde a morte do primogênito.

 

Hera entre sua mãe e seu pai : uma simbologia que cita a “Santa Ceia” de Leonardo da Vinci. Enquanto seus pais são participantes ativos da comunidade religiosa, Hera se identifica cada vez menos com a religiosidade.

 

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Durante todos esses acontecimentos, ela conhece o Black Metal (Venom) através da televisão ( a polêmica queima de Igrejas Cristãs). Ela aparece no dia seguinte com o rosto pintado com uma corpse paint e seus pais não entendem nada.

 

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Um dos pontos marcantes é quando ela conhece o novo pastor da Igreja, ainda um fã e antigo admirador do estilo metal de se vestir. Ele possui uma tattoo do Eddie (Iron Maiden) no braço. Eis aí onde Hera menos procura surgirá uma amizade e identificação, que acabará tomando um rumo dramático por parte de Hera. O filme é inspirador e muito bonito, pois trata de eliminação de preconceitos em torno da aparência e gostos pessoais, a ligação afetiva com a família, a superação da dor, a redenção de princípios religiosos e a consequente paz interior e a sinceridade em relação  à própria identidade.

Outro ponto marcante no filme é a fotografia, simplesmente magistral. Cenários naturais espetaculares, que conversam com o clima existencialista, sério e muitas vezes divertido do filme. Preste atenção na poesia e sensibilidade dessa foto aí em cima, com o gado ao fundo (porque esse gado tem uma função simbólica muito importante no filme, principalmente quando chegamos na cena da gravação da música – quem ver saberá).

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Hera: ser uma pessoa melhor não significa abandonar o metal

 

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As tattoos de Josh Todd

junho 12, 2014

“Quando você está na escola, você está atravessando a puberdade e está passando por essa fase estranha em que você está se tornando um adulto, mas você ainda é uma criança. A música tem tanta influência sobre você nesse ponto. Eu queria fazer um filme sobre aquele tempo”.

 

(Josh Todd falando sobre o suicídio do pai e da criação do curta-metragem análogo ao lançamento do álbum “Confessions”. )

 

Músicos vão ser bons enquanto estão na sua frente, quando você estiver  longe, eles começam a falar merda pelas suas costas. Então, eu realmente não estou afim de ser amigo de muitos músicos.

(Josh Todd)

 

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Josh Todd é o vocalista da banda de hard rock Buckcherry.  O que eu mais gosto no vocalista é quando ele valoriza temas sérios em seus álbuns, músicas e clipes. Eu amo hard rock, mas convenhamos que o legado dos anos 80 muitas vezes é reconhecido pela diversão apesar de ter muitas letras sérias, as que acabam fazendo mais sucesso são as que falam de assuntos amenos. Muitas bandas sérias tratam de assuntos que vão muito além de chorar por um  caso de amor perdido, como por exemplo o  Guns N’ Roses, o Buckcherry, Van Halen, Whitesnake e tantos outros. E eu acho corajoso quando o cantor expõe fatos de sua vida em seu trabalho. Ou coloca questões delicadas, ainda mais hoje em dia em que falar assuntos sérios é quase que parecer depressivo. Estamos em um modismo do “vamos ser felizes”, “vamos fingir que estamos bem”… Não se trata disso. As pessoas precisam perceber que a vida é feita de eventos ruins e você deve aprender com eles. Quando tinha dez anos o cantor Josh Todd chegou em casa e encontrou seu pai morto, ele havia se suicidado. Anos mais tarde Josh Todd usa esse evento na ideia de um curta-metragem que acompanharia o lançamento do álbum “Confessions”. Segundo ele o filme é vagamente baseado em sua história de vida.Não deixa de ser uma maneira do cantor expurgar os sentimentos em relação ao seu pai e tentar tirar lições de vida sobre o ocorrido.

Josh diz que fazer um disco em torno dos pecados é algo Keith Nelson e ele conversaram por muitos anos. Muitas pessoas abordam o assunto em bandas e em filmes, nós queríamos fazer algo com a nossa própria opinião sobre isso.

No início, achamos que seria apenas fazer sete canções sobre os sete pecados e lançar um EP. Quando chegou a hora de fazer um registro, Josh viu que realmente precisava de mais do que um EP. Ele diz que teve a ideia de sete canções para Sete Pecados e quatro elementos. É aí que músicas como “Air” e “Water” vieram.

O clipe “Glutonny” cita o pecado da luxúria e gula, enquanto  “Nothing Left But Tears” reúne todos os pecados em uma espécie de “santa ceia”, em que o convidado principal é um homem que cometeu suicídio e um crime passional. Por fim esse homem tem seu destino revelado, ele é o pecado da ira. Ambas fazem  parte do álbum “Confessions”

 

 

Na época segundo o próprio Josh Todd, ele também estava escrevendo um roteiro sobre a própria vida, quando era mais novo e alguns eventos o moldaram como artista. Segundo Josh, Stevie D. veio em um dia e disse que deveriam fazer um curta-metragem que iria junto com o EP. Então Josh Todd pensou que era uma ótima ideia.”Fui para casa, condensado minha própria vida e várias coisas que me aconteceram”-  (Josh Todd)

O enredo do filme “Confessions” gira em torno de um garoto de 17 anos, que chega da escola, encontra seu pai morto e constata que ele cometeu suicídio. O garoto através de um processo de luto, se manifesta através dos sete pecados capitais. Durante essa época, ele começa a perseguir uma garota na escola que é o oposto polar dele. Esse garoto do filme é aquele f*d*d* em que todas as coisas acontecem para ele. No filme ele faz amizade com um sacerdote católico, que não é um padre normal. O padre estava no funeral de seu pai, ele é todo tatuado, é um ex-drogado que encontrou Deus e chegou ao outro lado. O garoto encontra conforto nesse cara e aprende a perdoar seu pai. O rapaz se liga a menina encontrando alguém com quem se identificar. Josh Todd afirma que é complicado trabalhar com cinema, pois o investimento é grande e nem sempre há patrocinadores.

Fora o projeto citado, Josh sempre sempre demonstra seriedade sobre temas espinhosos que devem ser tratados com respeito. Em “Check your head”, mostra sua preocupação sobre o fato de jovens morrerem ao usarem ácido ou devido à depressão de ter fotos expostas na internet ao ser fotografadas nuas . Nessa música ele também usa de suas experiências pessoais, na escola ele tinha um amigo chamado Nick que morreu de overdose de ácido aos 18 anos. Jesse era uma garota que costumava falar com Josh sobre as coisas que seu pai fez com ela e posteriormente ela acabou se suicidando quando tinha 13 anos.

 

 

 

Mas nem tudo é tragédia na vida de Josh Todd, ele é um cara bem “família” e preocupado com quem ama. Além disso ele tem suas distrações, ele adora andar de skate e jogar futebol. Famoso por ser uma pessoa de muita atitude, Josh Todd afirma que não tem muitos amigos como você vê na citação que abre esse post. Um de seus amigos é o cantor Kid Rock: “- Ah, eu gosto de Kid Rock! Ele é um cara verdadeiro e eu o conheci antes dele começar a ter muito sucesso. Ele sempre foi o mesmo cara e eu gosto de pessoas assim. Isso é legal para mim. Estive na música desde que eu tinha 15 anos, então eu só gostaria de ter amigos normais”.

Josh também é ator e tem atuado em vários filmes bons, como o ótimo “Salton Sea” (eu ainda vou falar dele aqui) um filme noir sobre o submundo das drogas e do meio underground dirigido por D.J. Caruso.

Josh Todd é um comparsa do “Urso Pooh” (Vincent D’Onofrio), um traficante no filme “Salton Sea”

 

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Josh Todd, Val Kilmer e Danny Trejo no filme “Salton Sea”

 

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Outro aspecto interessante de Josh Todd são suas tattoos, ele tem várias e muito interessantes. Ele fala que queria ser tatudado aos 16 anos, mas o estúdio não deixou por ele ser novo. Então teve que esperar dois anos. Josh teve dois anos para pensar sobre o que ele queria, então ele escolheu uma Betty Boop que foi tatuada em seu pulso e que mais tarde ele cobriu. Ele diz que foi uma decisão horrível essa tattoo, ele realmente se arrependeu: “- Eu acho que todo mundo que tem um monte de tatuagens tem uma história de cobertura”.

 

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Sobre a tattoo que mais gosta, Josh Todd é enfático:  “Eu gosto dos meus joelhos … estes são os meus gêmeos (apontando para os crânios diretamente sobre a curva de seus joelhos). Eu gosto deles porque você não vê muitas tatuagens rótula. Sobre a dor, ele diz que enssa região é brutal (em cima dos ossos). Esses crânios foram feitos por Able Martinez no estúdio  “Graffiti Tattoo em North Hollywood – Califórnia”.

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Um pouco abaixo em suas pernas notamos as referências orientais  feitas por Pee Wee Paul do estúdio Sunset Tattoo em Los Angeles. A máscara (hannya) foi feita por Horiwaka no Japão. As hannyas têm inúmeros significados como no tatro Noh do século XIV que são máscaras que representam humores e identidades das personagens. No budismo, hannyas são equivalentes dos intensos e confusos sentimentos humanos como o ódio, o ciúme, a tristeza, a paixão e o amor. Esses sentimentos em excesso poderiam as pessoas em hannyas. Antes do teatro, o termo hannya foi a transcrição em japonês para o sânscrito “prajna” que no budismo é sabedoria.

 

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 Outra no estilo oriental por Pee Wee Paul do Sunset Tattoo em Los Angeles.

 

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Outra tattoo que Josh Todd gosta é a do suicídio do Rei de Copas, o único rei do baralho com uma faca em sua cabeça. Como Josh teve um suicídio em sua família (seu pai), essa tattoo acabou tornando-se especial para ele. Ela tomou muito tempo e lhe custou muita dor, Josh Todd foi ao estúdio durante quatro ou cinco meses seguidos de forma disciplinada pois sabia que poderia não ter coragem de terminar por causa da dor e por ser uma tattoo extensa. Essa tattoo foi feita por Kevin Quinn.

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Josh Todd revela-se um fã da dualidade do ser humano, esse simbolismo é observado através de suas tattoos. No lado esquerdo do torso ele tem uma pin-up old school, Los Angeles, rosas e chamas. Essa tattoo foi feita por Kevin Quinn, o tatuador que mais fez tattoos em Josh e em todos os integrantes do Buckcherry. Os braços também foram cobertos por Kevin Quinn.

 

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No lado direito, ele tem uma pantera e uma carpa koi, estrelas e água.

 

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Outras bem expressiva é a palavra “Chaos” escrita, que representa bem a personalidade de Josh.

 

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“Stay Gold”  feita por Greg James no estúdio Sunset Tattoo em Los Angeles

 

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No pescoço possui o nome de sua mãe, “Cynda” e algumas flores.

 

Cynda

 

Josh é um cara cuidadoso quando o assunto são seus filhos. Ele possui uma filha jovem, disse para ela não levar para casa qualquer cara que se pareça com ele. Quando Josh Todd conheceu seu sogro, o último pronunciou que não era muito fã de tatuagens. E Josh respondeu com todo respeito e sinceridade que um dia o sogro não iria nem vê-las. Sobre seu sogro ele pronuncia, não julgue um livro pela capa. “- Meu sogro é da velha escola, para ele as tatuagens representam coisas que não são boas, como criminosos e coisas assim. Mas, eu queria que ele soubesse que há uma pessoa dentro de tudo isso; é apenas parte do meu show e o que eu gosto de fazer, eu sou um cara legal. “

 

 

Referências :

 

Prick Magazine

Tattoo Tatuagem

About.com

 

 

 

Sobre o processo de criação artística: Michael Pitt e Kurt Cobain

maio 4, 2014

Tenho notado que apesar da falta de atualizações minhas estatísticas aumentaram, tenho muitos comentários para autorizar e responder . Meus leitores ainda não desistiram de mim (ainda bem). Muito obrigada pela fidelidade. Sobre mim, estou muito mas muito ocupada, o ano está passando e eu nem vi. Estou trabalhando em três lugares, o dia todo. Inclusive aos sábados. Por isso, infelizmente não tenho entrado aqui para atualizar. Esse ano conheci alunos e professores novos,  estou vivendo/sendo feliz. Quanto ao dinheiro, esse eu nunca tive. Vamos levando, rs…

Atualmente o que mais faz sentido para mim no sentido do ensino de arte é o processo de criação artística. Isso vem me impulsionando no trabalho com os alunos do nono ano. Pedi para que fizessem um diário, o motivo é que conheçam melhor a si mesmos e possam identificar qual linguagem comporta melhor suas ideias (conceitos). Essa linguagem pode ser a música, a literatura, o desenho, o design gráfico, a fotografia, a performance, instalações…

No início não estava fluindo bem, porém agora a proposta começa a frutificar. Estão surgindo ideias muito boas e trabalhos muito bons. Meus alunos são naturalmente inteligentes e alguns já possuem ligação com a arte, somente nem desconfiam disso. Falta lapidar essa consciência e mostrar a intencionalidade na criação da obra de arte.

No meio do processo começo a redescobrir Michael Pitt, que é um ator que admiro muito, tanto por suas escolhas em filmes fora da zona de conforto quanto pelo seu envolvimento com a arte. Na minha adolescência, Michael Pitt era minha referência de beleza masculina, ou seja sempre o achei lindo. Eu o achava belo e maravilhosamente estranho, eu adoro gente bonita e estranha. Mais que isso ele tinha uma real vida underground fora das telas, o que o torna também uma referência artística das mais relevantes.

Michael Pitt e Jamie Bochert

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Se eu fossse homem  certamente teria um estilo parecido com o dele. Agora vamos parar com a a babação de ovo e falar do que é mais relevante, seu talento. É conhecido seu trabalho como músico dentro da banda Pagoda, assim como suas criações solo. Suas ideias de videoclipes são arte experimental pura, transbordando sua personalidade inquieta e obscura através da fotografia dos vídeos e através da sua música. Aliás Pagoda criou clipes especiais para o filme Last Days, que vamos falar agora.

 

Michael Pitt é Blake em Last Days: uma licença poética de Van Sant para falar de Kurt Cobain

 

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Há um filme em que Pitt incorpora outra personalidade artística, a personalidade de Kurt Cobain. Last Days de Gus Van Sant mostra Kurt atormentado em seus últimos dias de vida. Também Kurt tinha diários e produzia muito de suas ideias para músicas através desse meio. Esse conjunto de escrita e desenho de Kurt foi chamado de Journals e ele nunca quis sua publicação. Cobain tinha mania de desenhar “cavalos marinhos grávidos” (para quem não sabe é uma das únicas espécies em que o macho é que espera a cria).

 

Trechos dos diários do Kurt Cobain (reunidos no que chamam “Journals”)

 

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Kurt

Pena que Kurt esqueceu o trecho “ame você mesmo”. Isso me faz lembrar o “Manifesto sobre a vida do artista” da Marina Abramovic:  A relação entre o artista e o suicídio: o suicídio é um crime contra a vida. O artista não deve cometer suicídio. Longe de criticar, ainda acho que se Kurt deixasse de ser músico e fosse somente um artista plástico (ele tinha talento para isso, facilmente percebido através de seus conceitos), ele nunca teria cometido suicídio. O problema do Kurt foi a combinação de depressão, drogas e pressão de ser um rockstar. Os fãs e a mídia contribuiram para sua morte à medida que acreditavam que suas fotos com arma na cabeça eram uma maneira de chamar atenção para seu trabalho exaltando sua excentricidade. Kurt tinha problemas, muito graves. Courtney já havia o salvado do suicídio três vezes antes do seu fim.

Kurt Cobain desenhando quando era um garoto. Bem que podíamos cultivar a ingenuidade para sempre, mas um dia a gente cresce e vê que para sobreviver tem que ser forte. Kurt não conseguiu, quem sabe se ele tivesse continuado desenhando ao invés de ser uma estrela da música? O Kurt achava seus desenhos muito ruins, todos gostavam. Menos ele.  Quando adulto ele dizia, “Ninguém morre virgem, a vida f*d* com todos nós”.

Kurt

Quanto a parte do não ser sexista é fruto dos festivais de riot girls que ele frequentava,  onde ele conheceu a Courtney.  Kurt era um homem que abominava a misoginia.

Voltando ao Michael Pitt, aí está o rapaz em “Last Days”

 

Michael Pitt

Michael Pitt sempre agarra papéis que lhe agradam, pelo teor alternativo da narrativa ou pelo significado do trabalho. Eu não imaginaria o ator em filmes para as grandes massas americanas. Acho que ele sempre vai ser cult e restrito aos seus fãs e acho isso bem legal, ainda mais hoje em que as pessoas fazem de tudo por dinheiro e fama.

Eu adoro esse clipe e ele foi passado para mim por um amigo que sabe que gosto de Joey Ramone e Michael Pitt. É uma versão punk para o clássico de Louis Armstrong.

 

 

Michael Pitt tem um canal no youtube e imagina minha surpresa quando eu dei de cara com seus vídeos cheios de experimentações e citações neogóticas variadas. “Summon it”, chamou muito minha atenção, a ponto de ver exaustivas vezes.  Primeiro porque Pitt incorpora o espírito sombrio que lhe é próprio, através de sua aparência, utilizando aspectos simbólicos como a casa abandonada, aves de rapina e o crânio de animal, além das locações que são extremamente interessantes, assim como a estória do clipe que nos faz lembrar alguma estória de terror em que o mal é aprisionado em uma casa. E de alguma forma é vencido no final, através do fogo.

 

 

Em “Rivers Tide” ele incorpora a mesma sensação de abandono, além das referências sombrias, porém com um ar étnico que lhe agrada. O clipe foi gravado em um deserto no Marrocos. Esse clipe tem a participação de sua namorada, Jamie Bochert que é modelo e também musicista (cantora/guitarrista/pianista).

 

 

Mas não é só com a música que Pitt desenvolve seu talento. esse vídeo dele é um processo de criação artística de intervenção em uma porta de madeira com desenhos, colagens,  pregos e parafusos. Através dessa intervenção vemos que ele possui interesse pela mitologia indiana.

 

 

 

Enfim, vivemos em um período em que a contaminação das linguagens artísticas que a arte contemporânea promove está mais acessível que nunca. O que você está esperando para produzir arte, seja de qual forma for? A única coisa imprescindível é o repertório, criatividade e a inteligência. Além da ausência de preconceitos, consigo e com os outros. A arte continua sendo a única coisa que nos salva da realidade, mesmo a mais cruel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Estilo Pastel Goth

março 3, 2014

Diferente de outros estilos que nascem e posteriormente caem no esquecimento como o emo ou viram uma espécie de moda como o hipster (um nome atual para o que chamávamos de indie até uns anos atrás), creio que o pastel goth vá criar muitos fãs e fazer sucesso por aqui. Acontece que o estilo já é um sucesso lá fora e vem aos poucos entrando em nosso país e já podemos ver influências até mesmo em lojas populares.

Em todas as lojas que vou, até as mais populares, vejo a fonte “derretida” e assustadora em camisetas. É influência do pastel goth!

Candy

OhMyGoth

As roupas com cruzes de todas as maneiras, invertidas ou não também são! Assim como a estampa “galaxy” e a “febre” dos unicórnios.

leggingcruz

galaxy

Unicornio

Unicornio 2

Isso prova que nada nasce em vão. A  criação do estilo foi viabilizada pela internet através do instagram,  lookbook e outras plataformas da internet,  através de garotas que postavam (e postam ) suas fotos com um estilo sombrio e assustador (goth) e coisas alegres, fofas e infantis (pastel). Mas como nada nasce de repente, visualizando os looks e o pessoal que vem aderindo posso afirmar que são fãs de cultura pop, tanto ocidental quanto oriental (japonesa). Se prestarmos atenção vemos influências de animes, mangás e até mesmo harajuku nos looks.

MangaPastelGoth

Não somente isso, há um gosto dos novos ilustradores de deviantart e tumblr nesses looks. Do lado goth não dá para negar a influência perky goth, só que agora com cores pastéis. Por isso eu que não me impressiono fácil com “modas” alternativas, venho me encantando com o pastel goth, acho que é uma genuína subcultura nascida multimídia e com garotas que não são celebridades ou estrelas do rock.

E aí, vai um botton da loja Gesshoku? Kawaii (cute) kowai (assustador)

kowai-pinMinha primeira incursão no meio foi ano passado, já comentei por aqui que não me considero otaku mas algumas coisas da cultura pop japonesa me encantam. Gosto do harajuku, de alguns animes e mangás assim como já comentei aqui que curtia lolita, gothic lolita, kodona (mas isso foi no passado). Mas os primeiros gostos permaneceram. Vou ser sincera que não me identifico com Japão em termos culturais, me sinto como Charlotte (Scarlett Johansson) em Lost in Translation, mas quando fui na Liberdade em São Paulo eu curti muito.  Continuando, minha primeira incursão ao pastel goth foi ano passado, quando procurava bijuterias zombie na internet. Dei de cara com a Malice Store de Lua Morales/ Chemical (que aliás tem um estilo lindo com referências pastel goth).  Comprei laços e um anel de olho, presilhas de ossos e um par de chifrinhos ( fiquei doida quando soube que ela faz em biscuit, porque são muito perfeitos). Daí foi um pulo, eu que tinha comprado esses acessoŕios para ornar com estilo gothabilly e rococo punk, que costumo usar (mas não somente estes estilos), acabei “estudando” aos poucos o pastel goth. Não que eu fosse aderir, porque não combina comigo. Mas para compartilhar aqui com vocês!

Alguns acessórios que comprai da Malice Store

Osos

Chifrinhos

LaçoRoxo

AneldeOlho

Quais as características do estilo?

Cabelos em tons pastéis

PastelGothHair

PGHair

CabeloPG

Hair

Acessórios para cabelos como coroa de flores e arcos (com ou sem spikes), laços de olho, mãos de esqueleto e chifrinhos…

pgtiara

Coroa de Flores

TiaraSpikes

pastelgoth8

PG10

HairPastelG

Os spikes e flores também estão em sapatos, roupas e acessórios

pastelgoth7

Pastel Goth

Spikes

Elementos ao mesmo tempo fofos e sombrios, são próprios do pastel goth. Assim como as cores junto com o preto.

PG

PastelGoth2

Alguns looks pastel goth, que equilibram elementos goth em preto e cores pastel com elementos  coloridos e “fofos”.

pglook2

pglook5

PGlook4

PGLOOK

Lookpg

PGLook

Há também estilos parecidos com o pastel goth como o nu goth, influenciado pelo grunge (ainda vou abordar aqui). Sobre o pastel goth, alguns elementos eu usaria mas não todos. É um estilo muito fofo para minha personalidade. E vocês, o que acham?

O Grande Gatsby

janeiro 17, 2014

“A vida é toda um processo de demolição. Existem golpes que vem de dentro, que só se sentem quando é muito tarde para fazer seja o que for. E é quando nós percebemos definitivamente que em certa medida nunca mais seremos os mesmos”.

(A Fenda – F. Scott Fitzgerald)

“Sua mente é poderosa, ela pode levar você à qualquer lugar nessa vida”. (Jay Gatsby)

F. Scott Fitzgerald, autor de “O Grande Gatsby” é conhecido como escritor da geração perdida norte-americana. Seus contos eram chamados de contos da era do jazz e refletiam o zeitgeist da época. Sua esposa, Zelda Fitzgerald, foi nomeada pelo marido como uma das primeiras melindrosas da época. O estilo de vida do casal se refletia na literatura de Scott, ambos eram jovens,  belos, influentes, conviviam com os ricos, as festas e a descoberta de que nem tudo é tão belo quanto parece.  F. Scott Fitzgerald morreu devido aos seus excessos com a bebida, que o deixaram frágil à outras doenças como a tuberculose e os ataques cardíacos. Ele faleceu aos 44 anos de um ataque cardíaco. Ele também é o autor de “O curioso caso de Benjamin Button”.

Os jovens F. Scott Fitzgerald e Zelda Fitzgerald

Portrait of F. Scott Fitzgerald

Portrait of Zelda Fitzgerald

Leonardo DiCaprio é muito inteligente, eu admiro demais seus trabalhos. Partiu de filmes interessantes em sua adolescência (como Gilbert Grape em que ele dá um show ao lado de Johnny Depp) e apesar (não que isso seja um problema, mas a grande maioria das pessoas avalia os bonitos pela beleza, não sobrando nada mais que isso) da beleza, conseguiu se firmar como um ator fantástico que tem uma qualidade rara de transmitir empatia através de seus personagens. Tenho grandes filmes dele guardados como “Prenda-me se for capaz” de Spielberg, “O aviador” e “A ilha do medo” de Scorcese e a “A Praia” de Danny Boyle, enfim eu gosto muito de suas atuações. E DiCaprio é o tipo perfeito para papéis de época, que demandam um visual vintage, tanto pelo seu tipo físico característico quanto pela sua postura elegante. Tenho a mesma opinião formada sobre algumas atrizes como Cate Blanchett, Carey Mulligan e Michele Williams.

Great Gatsby

Já Baz Luhrmann é um conhecido de outra data de DiCaprio, quando ele era bem mais novo e atuou em seu Romeu + Julieta. Luhrmann foi bastante criticado com a produção de “O Grande Gatsby”, o acusaram de fazer uma produção onerosa, de “enfeitar” demais a narrativa de Scott Fitzgerald que por si só é um escritor que já possui um estilo rico e além do mais acabar com a narrativa do livro em prol do filme. Essa vai ser sempre a maior discussão ao se adaptar livros para roteiros e filmes, mas o cinema é outra linguagem e o diretor de cinema não pode expressar apenas o estilo do escritor mas também seu próprio estilo. Ou então o cinema não seria considerado arte, nem nos interessaria estudar diretores de cinema pelo seu estilo. E o estilo de Baz Luhrmann é luminoso, grandioso e luxuoso! Ele é um dândi do cinema. E dândi também é Leonardo DiCaprio fazendo o papel de Jay Gatsby. É maravilhoso vê-lo e estar com ele, de maneira que nos sentimos agraciados tanto por seu estilo apurado, seu porte elegante quanto pela sua presença agradável e carismática, sem contar suas palavras. Sim, me senti como Nick Carraway, o personagem de Tobey Maguire em “O Grande Gatsby”. Na minha opinião “O Grande Gatsby”  é um espetáculo para os olhos sem perder a linha da narrativa. A começar pelos cenários luxuosos e pelo figurino, nada mais que joalheria Tiffany & Co. e figurino Prada. Pessoalmente eu amo o glamour vintage, isso também me incentivou a ver esse filme. A única queixa que faço é quanto à trilha sonora, Luhrmann é conhecido por trazer músicas pop, tal como hip-hop e rock para tramas de época. Mas nesse caso acho que o jazz foi protelado, o problema disso é que é a era do jazz. Não que não pudesse ter trilhas sonoras pop, mas o jazz poderia ser mais explorado.

O diretor Baz Luhrmann

BazLuhrmann

O figurino teve a colaboração de Miuccia Prada e jóias de Tiffany & Co.

Prada

Era a época do charleston, a dança dos anos 20 por excelência, do jazz e da transformação do automóvel e da bebida alcoólica como “bens” atingíveis pela sociedade. É o período do pós-guerra em que há o empobrecimento de uma grande categoria da população, o enriquecimento de uns poucos sabe-se lá com o que,  já que a ascensão do crime organizado e da corrupção é grande. E vemos isso tudo claramente no filme, as cenas que acho fantásticas são a passagem do mundo colorido e luxuoso dos mais abastados através de seus passeios de automóvel para o lado cinza da cidade, o lado pobre. O automóvel colorido dos ricos percorre o ambiente cinza, urbano das fábricas e oficina de automóveis, como se nada pudesse tirar a alegria e frivolidade dos abastados nem mesmo o ambiente externo real.

E aí entra o nosso narrador, o igualmente fantástico Tobey Maguire, fazendo o papel de Nick Carraway. Carraway é um rapaz  humilde do meio oeste americano, trabalha na bolsa e ocasionalmente visita sua prima rica Daisy (Carey Mulligan), casada com um igualmente rico jogador de polo, Tom Buchanan (Joel Edgerton, que está a cara de Clark Gable no filme). Carraway apresenta uma decepção, ao qual ele chama de “nojo” de pessoas. Seu psiquiatra acha melhor que ele escreva contando o que aconteceu como se fosse um diário, dado que em determinado momento ele já não se sente à vontade para falar.

Gatsby

Carraway tem bastante admiração por um indivíduo chamado Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), a melhor pessoa que ele já conheceu em vida.  Carraway mora ao lado da casa de Gatsby, uma casa pequena e esquecida. Nick Carraway nutre uma certa curiosidade sobre Gatsby, porque sempre ouve falar dele mas não o conhece. Eis que ele percebe que Gatsby o observa à noite e um certo dia Gatsby envia um convite à ele, convidando-o para uma das inúmeras festas grandiosas em sua mansão. E Gatsby nunca havia convidado ninguém para suas festas, as pessoas simplesmente aparecem. Mas antes que possamos achar Gatsby fútil pelo seu modo de vida dispendioso e luxuoso, ele já terá arrebatado o coração de todos, Carraway, seus convidados, eu e você.

Minha vida, minha vida tem que ser assim. Cada vez mais alto.

E porque Gatsby parece tão interessante? Seu passado é obscuro, assim como a origem de seu dinheiro. Aí vem a indagação: Porque Gatsby é tão melhor que os outros ricos? No decorrer da trama vamos ver que os valores estão acima do que acreditamos ser o correto e bem além da hipocrisia generalizada.  A corrupção, a traição… afinal não são nada perto do que um ser humano pode fazer por sua satisfação individual, passar por cima das pessoas, fazê-las sofrer, fazer com que percam suas vidas, emocional e fisicamente. Afinal sabemos que o que liga Carraway e Gatsby é a grande esperança no futuro e a fé nas pessoas. Nisso eles compactuam com o mesmo tipo de ingenuidade, que tranformará suas vidas em definitivo.

Gatsby2

Gatsby tem a certeza que podemos repetir nosso passado, para  que ele possa ser belo como deveria ter sido. Porém nunca podemos trazer de volta o passado, as pessoas do nosso passado e os sentimentos do passado, porque em certa medida não somos as mesmas pessoas do passado e muito menos as pessoas pelas quais nos apaixonamos permanecem as mesmas. Quem nunca imaginou ter vivido uma outra realidade, com a pessoa que amamos no passado? Como seríamos se tivéssemos tido uma chance? O que faríamos para ter essa pessoa novamente, quais coisas buscaríamos?

Eu obtive todas essas coisas por ela, todas essas coisas por ela.

E nunca podemos saber se o amor dessa pessoa é tão grande e tão sólido quanto o seu. E o pior, talvez aquilo que a pessoa que você ama procura seja qualquer coisa, menos o seu amor. Há determinados amores que trilhamos que são destruidores e o preço tende a ser mais caro que qualquer bem material. Pessoas descartáveis como bens descartáveis. Quando se tem qualquer coisa que queira é inerente achar que também as pessoas e seus sentimentos são assim.

A única coisa que nos salva se não é o amor,  que seja a amizade. Porque sempre haverá alguém que considere a nossa grandeza acima do que todos são capazes de ver ou obter ao estarem conosco. A grandeza de Gatsby está em seu coração.

Gatsby e Carraway: A amizade está no valor que o outro é capaz de depositar em você, sem querer absolutamente nada em troca.

TheGreatGatsby

Fonte das imagens com frases do livro: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-141808/

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